[ Edição Nº 69 ] – Emídio Buchinho lança disco de estreia.

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Lançada a primeira pedra com “Toltech”
Emídio Buchinho inicia construção de uma carreira

           “Toltech” é o primeiro disco de Emídio Buchinho, um músico de Setúbal que se apresenta a solo, num trabalho todo desenvolvido individualmente com a guitarra eléctrica, num estilo que se classifica habitualmente como nova música improvisada.

          Não é um trabalho convencional, mas nem por isso invulgar, antes longe do imediatismo das rádios e televisões. “Toltech” é o resultado de um trabalho desenvolvido por Emídio Buchinho durante três anos, naquilo que o próprio classifica como a “criação de material sonoro” .           Foram três anos em que o músico participou em diversos workshops sobre improvisação e em que trabalhou com Carlos Zíngaro, um dos principais nomes da música improvisada feita em Portugal e com méritos reconhecidos além fronteiras, desenvolvendo assim diferentes técnicas de abordagem à guitarra.

          De há um ano a esta parte

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“Soul”
Emídio Buchinho
(em Real Audio)

começou a gravar em casa algumas sessões de improvisação, já com a ideia num registo discográfico, que viu agora a luz do dia, mas só depois de ter passado por um processo de edição em computador em que os temas foram amputados das suas partes menos conseguidas ou mais redundantes.
          Partindo de longos devaneios musicais, o trabalho final acabou por resultar num lote de dez temas de curta duração, esperançosamente “mais audíveis” . Aqui Emídio Buchinho recorreu ao apoio de Carlos Zíngaro e ao seu próprio sentido auto-crítico, tentando colocar-se do lado do ouvinte e cortando os originais “sem apegos sentimentalistas” .
           “Toltech” funciona como um “manifesto” e tem uma leitura muito intimista, além de constituir uma autêntica prova de fogo para um músico estreante. “Tinha que me testar” , confessa Emídio Buchinho, que garante ter isso “a ver com a personalidade e pelo gosto de arriscar, mesmo que pareça uma atitude muito suicida, mas esta exposição não tem nada de pretensiosismo” .
          Emídio Buchinho explica que em “Toltech” está o reflexo de toda a sua vida e de todo o seu percurso musical, isto é, com referências a muitas influências, onde ressalta porventura a componente ambiental. Os temas não obedecem a estruturas programadas e não podem voltar a ser repetidos, pois nada foi anotado. Daí ser esta chamada de nova música improvisada, explica o guitarrista, porque “quando se está a tocar é sempre novo o resultado” .           O resultado deste disco de estreia de Emídio Buchinho também não está longe da sua actividade profissional, embora ligada ao cinema, onde assina bandas sonoras e é técnico e ‘designer’ de som. Herdando do seu pai o gosto pela sétima arte e pela tecnologia, o músico setubalense espera ter lançado a primeira pedra de uma carreira musical.

          Apreciador de leituras mais esotéricas, é com algum gosto que explica os possíveis significados de “Toltech”. Por um lado pode funcionar como um trocadilho com o inglês ‘tall tech’, que seria qualquer coisa com ‘alta tecnologia’, em contraposição com ‘high tech’. Depois, os toltecas eram um povo das antigas civilizações do continente americano, conhecidos por serem exímios construtores de cidades. Ora, o conceito de construtor fica aqui muito bem aplicado a quem desenvolve um trabalho de criação musical fora dos parâmetros habituais da música de consumo imediato.