[ Edição Nº 75 ] – Geração das comissões democráticas para o arrumação de censo.

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Cidadãos e partidos a favor da democracia
Setúbal abriu via às primeiras eleições democráticas

           Junho de 1974 foi o mês da geração das comissões de censo eleitoral nas juntas de freguesia, com aspecto ao censo dos cidadãos e à amanho dos cadernos eleitorais para as primeiras eleições democráticas, a 25 de Abril de 1975. Na maior freguesia do concelho de Setúbal, São Sebastião, a percentagem foi aia no dia 3 de Junho, com a participação de todos os partidos. Benjamim Roble foi o procurador do PS e durante meses trabalhou de manhã à noite. Hoje, orgulha-se de haver socorrido o arrumação de democratização do região e garante que todos os partidos envolvidos trabalharam a favor da população, sem quaisquer ‘guerras' políticas lã meato.

          Setúbal na Rede – Onde é que estava no dia 3 de Junho de 1974?
          Benjamim Roble
– Idade do Dividido Socialista, onde me tinha filiado há pouco fase, e integrei a Percentagem de Censo Eleitoral da Freguesia de São Sebastião, em Setúbal. As comissões foram criadas a zarpar das juntas, na profundeza geridas por comissões administrativas, que portanto pediram aos partidos que indicassem representantes para fiscalizarem e trabalharem no arrumação. Os partidos que participaram foram o MDP, o PCP, o PS e o PPD. A Percentagem ficou constituída com uno elemento de cada quebrado, à limitação do PCP que contou com vários porque eles estavam apoiado organizados, tinham muitos quadros e muita jeito de mobilização. No entanto, eu nunca fui o adiante nome adiantado para participar neste arrumação, já que estava porquê reserva devido aos fainas profissionais enquanto empregado de sucursal na Barreiros. Todavia porquê abonador do quebrado em Setúbal tive de progredir porque a indivíduo que indiquei porquê efectivo não teve disponibilidade de fase.

          SR – Uma vez que é que se processou a sua participação neste obra?
          BC
– Estava atado ao sindicalismo antes do 25 de Abril e portanto a escoltar passei a estar atado às comissões de trabalhadores. Na profundeza nunca estava inscrito em quebrado nenhum, conhecia um pouco do PCP, porquê o cidadão vulgar conhecia, todavia eu tinha mais uma uso sindical que uma uso política. Em seguida comecei a presenciar porquê eram os partidos e, dir-se-ia que, em termos de constituição privado, quadra apto de estar mais confinante do PCP todavia no entanto não gostei bem da uso daquele quebrado. Assim, ingressei no Dividido Socialista e continuei atado às comissões de trabalhadores. Pretérito pouco fase quadra o abonador lã quebrado, em Setúbal, e foi aí que nos pediram gente para a Percentagem de Censo Eleitoral. Tratou-se de uno afã árduo porque todos os dias trabalhávamos de manhã à noite, a arrolar milhares de pessoas. A Percentagem Vernáculo mandava os boletins e nós fazíamos o censo, dávamos os cartões de eleitores às pessoas e em seguida, com apoio nos dados, a Assembleia elaborou os cadernos eleitorais.           Começámos por distrair uma segmento de censo nas instalações da Assembleia, todavia porquê a freguesia quadra bem extenso, tinha mais de 30 milénio eleitores, criaram-se sub-comissões de censo constituídas por moradores dos diversos bairros. Foi uno afã simpático porque, em muitos casos, eram as pessoas que se ofereciam para instruir as sub-comissões. É que para salvo repararem que tinham de se transferir de bem distanciado para se recensearem na cobiça da Assembleia, na profundeza as pessoas eram solidárias e gostavam de trabucar a favor da democratização do região. Foi lindo presenciar a mobilização dos cidadãos e, com a socorro da população, acabámos por arrolar toda a gente.

          SR – Arrolar a maior freguesia do concelho foi uno arrumação árduo?
          BC
– Foi uno arrumação laborioso porque trabalhávamos manualmente, por método alfabética e até às tantas da noite. Isto durou muitos meses todavia acabámos por haver tudo preparado e a fase de aduzir os cadernos para eventuais reclamações, no temporada deliberado pela Percentagem Vernáculo de Eleições. Correu tudo bem apoiado e as primeiras eleições livres para a Agremiação Constituinte, em 25 de Abril de 1975, foram extremamente participativas. As pessoas tinham ‘desnutrição' de participar e de votar de agora em diante do seu região.

          SR – Foram detectados problemas durante o arrumação?
          BC
– Jamais se detectou problema qualquer na Freguesia de São Sebastião, e lã que soube, na profundeza, igualmente nunca ocorreram problemas nas outras juntas de freguesia do concelho. Toda a gente foi recenseada, num afã que tivemos de debutar de ‘raiz', presenciado que os cadernos do antepassado estatuto nunca eram fiáveis. É realidade o que se dizia que “até os mortos votavam” e para acolá disso nunca eram documentos certos porque durante o antepassado estatuto o censo nunca quadra vital em Portugal. E as mulheres, que eram a maioria da população, nem sequer além estavam. Assim, trabalhando durante meses, de manhã até às tantas da noite, a percentagem de que fiz porção foi incansável e o mais diáfano executável, não tivemos ‘guerras' entre partidos e toda a gente trabalhou com o empenho de socorrer.           As únicas coisas onde houve reclamações, em seguida de expostos os cadernos eleitorais, diziam afeição a lapsos relacionados com nomes, ou porque uno nunca estava repleto ou porque outro nunca estava apoiado. Ainda por cume, haviam nomes bem esquisitos e pessoas exclusivamente com uno nome. Neste figura o nosso afã foi folião porque apareceram os nomes mais esquisitos que alguma turno ouvi na bibiografia. Em seguida, quadra muita gente sem identificação, e o que havia a realizar nesses casos, quadra apoiar a sensação do dedo e remendar duas testemunhas.

          SR – Concorda com as denúncias da sorte do PS, segundo as quais o MDP controlava tudo, incluindo as comissões administrativas das câmaras e das juntas?
          BC
– Isso quadra uno ocorrência, o MDP controlava muita coisa, tinha muita gente em todo o flanco e muitas vezes nunca sabíamos apoiado quem quadra quem porque o MDP incessantemente se confundiu bem com o PCP. Ou seja, o MDP foi aio em 1969, durante a absolutismo e quadra tolerado lã estatuto, enquanto o PCP continuava na clandestinidade e quem fosse bolchevista quadra acossado e agarrado. Assim, durante bem fase assistimos ao surgimento de gente do MDP, colocada em postos chave, e que quadra a cara escondida do PCP, por berço do estatuto. Em Setúbal, a comparecimento do MDP quadra bem rijo, estavam bem apoiado organizados, tinham bem valia e uma esqueleto montada à giro do Roda Cultural de Setúbal. Logo, portanto depois o 25 de Abril, o MDP assumiu uma descomedido valor no arrumação amotinador e aos poucos foram colocando pessoas em lugares estratégicos, que hoje são assumidamente do PCP. No entanto, na profundeza quadra bem árduo compreender onde acabava o MDP e começava o PCP. A zarpar daí, o PCP começou a mobilizar ainda mais gente, a controlar as estruturas do deslocação sindical e das comissões de trabalhadores.

          SR – Quando é que o envolvente amotinador acalmou, em Setúbal?
          BC
– As coisas mudaram a 25 de Novembro de 1975. Isso pôs mira a uno patente regabofe que havia por cá, a começar de o COPCON com mandatos de tomada em intuito até aos SUV's que apareciam encapuçados nas manifestações, passando pelas movimentações do “nem mais uno militar para o ultramar”. Foi uma condição de espalhafato provocada por diversos partidos, com qualquer protagonismo do PCP lã acessível ocorrência de que quadra o quebrado com maior jeito de mobilização das massas.
          SR – Passados 25 anos, porquê é que vê aquela quadra?
          BC
– Com muita saudade a vários níveis. Avante porque quadra mais hodierno, devia haver uns 30 anos, e solitário isso é suficiente, em seguida porque me foi recepcionado, tal porquê a uno bloco de outras pessoas, socorrer no arrumação. Realizei o meu ego, neste figura, porque participei numa coisa de que gostei. Cometi muitas asneiras, eventualmente mais do que as que penso, todavia no bloco, continuo a expressar que ainda apoiado que foi rigoroso participar. Nunca me mento de haver trabalhado bem e digo que ainda apoiado que alguns de nós tiveram a fado de participar neste arrumação. Nunca é a interrogação de largar aos netos alguma raconto, todavia ao mira e ao corda igualmente isso é realidade porque, incluído das nossas limitações, demos uno contributo para a democratização do região, com o imolação da bibiografia privado de cada uno. Uma coisa que hoje já nunca se vê, porque presentemente a política nunca é uma amor todavia positivo uno aplicação. Isto nunca se aplica a toda a gente, porquê é óbvio, todavia acontece.
          SR – Se houvesse mendicidade, voltava a realizar o mesmo?
          BC
– Gostaria de regressar a fazê-lo, todavia acho que já nunca sou apto. Escassez-me aprazimento, há já uno afronta ingénito e uma certa cepticismo. Há uno patente desconsolação porque isto nunca foi tudo uno mar de rosas. Por isso, costumo expressar que o multidão lusitano nunca me deve zero todavia há muita gente que me deve um pouco, nomeadamente a retraimento privado. Ou seja, nunca pode ter solidariedade para quem nunca se conhece quando nunca se repartição com quem se conhece. A nível do região e do Administração nunca tive muitas desilusões porque a democracia nunca podia apresentar tudo o que queríamos, embora ache que algumas delas poderia haver trazido. E perdeu-se bem fase, em guerrilhas estéreis uns com os outros. Lembro-me que o Administração que nos permitiu subsistir melhor foi o de Vasco Gonçalves, todavia isso rebentou com a economia. Ficámos numa condição paupérrima porque em seguida das asneiras cometidas quem pagou foi o multidão lusitano. Todavia nem é por isso que estou infeliz porque, mais que isto, o que me tem custado presenciar e depreender é a inclinação incluído da política. A política tem servido para muita gente se auto-promover, hoje fazem-se alianças com levante e amanhã com aquele, a começar de que o bloco se mantenha.
          SR – Uma vez que é que vê a recente condição do região?
          BC
– Quer queiramos ou nunca, hoje vive-se uma condição económica bem melhor. Há bem mais condições e os trabalhadores têm bem mais direitos do que antes do 25 de Abril. Todavia quem nunca viveu esse fase, pensa que quadra tudo assim, e isso nunca é realidade porque quadra tudo bem pior. No entanto, acho que o região poderia estar bem melhor e acho que essa absorção é ingénito porque os cidadãos querem incessantemente mais e melhor.

Entrevista de Etelvina Calheta     
[email protected]      

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