[ Edição Nº 77] – Porto de contentores pode ir para Sines.

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Comunidade portuária apreensiva
Sines pode ‘chumbar’ porto de contentores em Setúbal

           O projecto do porto de Setúbal para o terminal de contentores vai ser alterado, uma vez que o Governo pretende para Setúbal uma plataforma multimodal, o que põe de parte a aposta exclusiva na contentorização. A decisão surge poucas semanas depois do aval da ministra do Ambiente ao projecto da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), um documento que, segundo as contas de Bruxelas, já devia ter sido enviado para garantir o financiamento comunitário prometido.

          A medida foi avançada ao “Setúbal na Rede” por fonte do Ministério do Equipamento, sendo que na decisão do ministro João Cravinho terão pesado as negociações promovidas pelos investidores de Singapura para o porto de Sines, cujo futuro porto de águas profundas envolve verbas na ordem dos 40 milhões de contos e que, ao que tudo indica, poderá também movimentar os contentores que Setúbal queria para si.

          A decisão de Cravinho, de redimensionar o projecto da APSS, por considerar que o documento faz previsões megalómanas, foi ainda confirmada ao “Setúbal na Rede” pelo presidente da Câmara de Setúbal, Mata Cáceres, um dos maiores defensores do porto de contentores, e que durante as duas últimas semanas tem mantido reuniões periódicas com o ministro da tutela.           Mantendo-se fiel à ideia de que o porto de contentores, tal como previsto pela APSS, faz falta à região, Mata Cáceres avança, no entanto, que as tentativas de negociações, por parte do Ministério, com a comunidade portuária, já estão em curso, garantindo o Governo que o reajustamento continuará a dar capacidade de trabalho e de expansão da actividade do porto.           Para já, o que o presidente da Câmara de Setúbal sabe é que, nas reuniões mantidas com o ministro da tutela, lhe foi garantido o financiamento da recuperação da zona ribeirinha da cidade, uma área gerida pela própria APSS.           Quanto à comunidade portuária, sabe-se que reuniu com João Cravinho na semana passada para ouvir explicações sobre esta matéria. Tendo em conta que esta remodelação deixa apreensivas muitas das entidades envolvidas no processo, entre as quais a própria comunidade portuária, esta entidade resolveu remeter a divulgação dos resultados da reunião para uma conferência de imprensa marcada para hoje, dia 21.

          No entanto o “Setúbal na Rede” sabe que o ministro continua irredutível na decisão que tomou, por considerar que apenas o porto de Sines está vocacionado para esta área, dada a sua localização geo-estratégica no cruzamento das principais linhas de contentores (Oriente, Médio Oriente, Mediterrâneo e Atlântico), e a qualidade dos seus fundos que são superiores a 16 metros.

          Por isso, é convicção do ministro de que o porto de Setúbal deve continuar no aprofundamento do rol on rol off e apostar na carga geral fraccionada. Ou seja, tudo o que se prenda com a circulação de navios de calado inferior, ficando assim destinados a Sines os navios de maior calado, para além da nova geração, os chamados “overpanamax”.

          O redimensionamento do projecto do porto de Setúbal deverá ser feito em breve, após um período de reuniões e consultas com a comunidade portuária os agentes de desenvolvimento do concelho e, segundo o “Setúbal na Rede” apurou junto de fonte próxima do ministério de Cravinho, o interesse do Governo em reajustar os números é tão grande que, para além de financiar a recuperação da zona ribeirinha, estará mesmo disposto a oferecer, em troca, um espaço da Eurominas para proporcionar ao porto de Setúbal uma nova área de futuro cais.

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