[ Edição Nº 77] – Hospital de Setúbal não foi informado de que tem de desmantelar incineradora.

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Governo quer desmantelar incineradoras
Hospital de Setúbal não foi informado

           O Hospital Distrital de Setúbal, que até Dezembro deste ano será obrigado a desactivar a incineradora de resíduos hospitalares que instalou, desconhece oficialmente a resolução oficial contida no Plano Nacional de Tratamento de Resíduos Hospitalares, divulgado pelos ministérios do Ambiente e da Saúde. Como tal, segundo garante o director, David Martins, “não podemos comentar tal decisão”.           A administração do Hospital Distrital de Setúbal tomou conhecimento da decisão governamental através da comunicação social e cerca de duas semanas depois de ter sido dada a conhecer ao país, o Governo ainda não a fez chegar aos responsáveis por aquele estabelecimento de saúde.

          A garantia de completo desconhecimento do plano final é dada ao “Setúbal na Rede” pelo director do Hospital de Setúbal, David Martins, que recusou comentar a decisão por “desconhecer a resolução do documento”, embora admita ter acompanhado, ao longo do último ano, o processo que conduziu à elaboração deste plano para os resíduos hospitalares.

          Mas apesar de ter sido confrontado com o facto de não ter recebido os dados necessários para iniciar o processo de desactivação, que tem de estar completo em Dezembro, David Martins acredita que “a decisão deverá ser-nos transmitida em breve”. Mas neste rol de desactivações, não é só o Hospital de Setúbal que está na ‘berlinda’, uma vez que o plano prevê ainda o desmantelamento da incineradora do Hospital do Montijo, já em Julho, bem como as do Barreiro e de Almada até Dezembro do ano 2000.           De acordo com o documento, que prevê o encerramento da maioria das incineradoras hospitalares do país, durante este processo os respectivos hospitais devem encontrar formas alternativas de encaminhamento ou de tratamento dos lixos, como é o caso da autoclavagem em empresas privadas. Isto, para reduzir a poluição provocada pelas incineradoras que, segundo o Governo e os ambientalistas, queimam resíduos que podem ser tratados de forma mais correcta.           É que, de acordo com os dados oficiais as dioxinas libertadas pelas incineradoras hospitalares são perigosas e, conjugadas com a poluição industrial e automóvel, são as principais responsáveis pelos elevados índices de poluição das zonas urbanas.

          Por isso, o presidente da Quercus, Francisco Ferreira, aplaudiu a monitorização feita este mês à poluição da cidade do Porto, que confirmou serem as dioxinas as principais causadoras de poluição. Assim, apesar de considerar que Setúbal “poderá não ser um caso prioritário”, defende que “por via das dúvidas”, deverá ser feita uma monitorização dos valores das dioxinas nas zonas mais sensíveis da cidade, nomeadamente junto à incineradora e na zona industrial.

          O mesmo gostaria de ver feito na cidade do Barreiro, a mais industrializada do país e a que tem uma das piores incineradoras em funcionamento. Por isso, acredita que o Ministério do Ambiente “devia tomar a responsabilidade” sobre estas operações de monitorização da qualidade do ar, que deveriam ser feitas “periodicamente em cada um dos locais mais sensíveis”.

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