[ Edição Nº 91] – DO CENTRO DA PENINSULA por José Carlos de Sousa.

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A prioridade da educação e de Timor

         As nossas insatisfações pessoais, profissionais ou colectivistas têm muito a ver com a forma como encaramos o mundo.

Se nos acomodamos perante realidades que nos são adversas, ou se, por outro lado nos revoltamos perante sistemas que, de tão estanques e perfeitos que são, nem sequer poderão merecer discussão.

Tudo isto porque dentro de pouco mais de uma semana iremos votar. Votamos conscientes que o partido em que confiamos o nosso voto irá transformar as nossas necessidades e anseios. Transformar em realidade aquilo que a nossa ideia preconiza, sem pôr em causa um qualquer sistema de valores que não concordamos.

Será que iremos votar muitas mais vezes com os professores por colocar e sem subsidio de desemprego mesmo quando já trabalharam para a instituição Ministério da Educação?

Daqui lanço um repto a este Ministério, ainda em funções, para que esta situação, como muitas vezes tem sido reivindicada pelos sindicatos, possa ter um bom epílogo ainda nesta legislatura.

Se por um lado, enquanto pais, nos podemos congratular com o facto de mais professores não terem sido colocados no mini-concurso e por isso termos professores mais qualificados em frente dos nossos filhos, por outro lado, a vertente humana da situação leva-nos a pensar que docentes, que embora sem habilitação, sempre deram o seu melhor em prol do ensino se vejam agora arrastados para o desemprego por um sistema que sempre lhes pagou mal para um serviço idêntico ao dos restantes colegas.

O ensino tem de ser prioridade nesta ou em qualquer legislatura. É claro que continuamos com filas de meses de espera para as consultas de especialidade nos hospitais, que continuamos com falta de emprego para os jovens licenciados e para os que a vida colocou no desemprego; é conhecido que continuamos com escassez de habitação, e é claro também que nunca se viajou tanto para as Maldivas mesmo em Outubro…

Este o país que temos. Podemos revoltar-nos e não votar a 10 de Outubro ou simplesmente continuar a votar como sempre o fizemos pela mudança ou pela estabilidade.

Daqui a quatro anos poderei, se por cá continuar, encontrar exactamente os mesmos problemas, as mesmas necessidades, as mesmas circunstâncias, e voltar a elencar uma série de situações que a todos aflige mas em que o pensamento positivo terá de nos levar a pensar que os governantes também não estão distraídos com as situações. A insatisfação é essencial ao homem e nesta perspectiva tudo teremos de fazer para sair deste “entrave” que nos bloqueia a imaginação e a criatividade.

Para Timor conseguimos centralizar razões, desejos e vontades que poderão ser equacionadas de muitas formas.

Gostei sinceramente de ver a capacidade de solidariedade do povo português em relação à causa timorense. Causa que será de todos e que talvez por isso tantos tenha mobilizado. Há necessidade de deixarmos de olhar só para dentro de um umbigo, por vezes sujo, e olhemos em frente com perspectiva e horizonte. Que poderemos nós fazer para que este espirito se contagie a outras situações que enquadramos como importantes no exercício da democracia.

Há necessidade de podermos, a curto prazo, concentrar sinergias suficientes, para em diferentes matérias que atravessam a sociedade portuguesa, transversal ou horizontalmente, termos comportamentos apolíticos, mas conscientes, que conduzam a mudanças de comportamento reais e significativamente sentidas na população. Todos estaremos melhor quando à nossa volta, a miséria não for tão sentida ou pelo menos… visível.