[ Edição Nº 92] – Jorge Coelho, cabeça de lista do Partido Socialista pelo distrito de Setúbal.

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Edição Nº 9204/10/1999

Em nome do desenvolvimento do distrito
PS quer reforçar o número de deputados

         Jorge Coelho, cabeça de lista do PS por Setúbal às próximas eleições legislativas garante que vai defender os interesses do distrito junto do Governo, no sentido de continuar a investir no desenvolvimento de Setúbal. Por entre elogios à obra do executivo PS, nestes últimas quatro anos, sempre vai admitindo que ainda há muito por fazer na região. Por outro lado, não se esquece de responsabilizar o PSD pelo que diz não ter sido feito nos dez anos anteriores.


Setúbal na Rede

– Porque é que aceitou liderar a lista de Setúbal, do PS, às próximas legislativas?

Jorge Coelho

– Aceitei o convite da Federação Distrital do PS porque o secretário geral do PS, António Guterres, e eu próprio, achámos que tendo em conta o progresso que Portugal está a ter, este é o momento de dar mais protagonismo e força ao distrito de Setúbal. Nos últimos quatro anos foi feito aqui um trabalho importante, e agora é altura de aproveitar toda esta onda de desenvolvimento e dar ainda mais força ao distrito aproveitando o dinheiros que estão garantidos para o terceiro Quadro Comunitário de Apoio.

SR

– O PS tem nove deputados pelo distrito. Para 10 de Outubro qual é a fasquia?

JC

– Queremos que os cidadãos que aqui vivem ou trabalham possam reflectir sobre a escolha que vão fazer, e o que está em causa é a escolha de quem vai governar o país nos próximos quatro anos e do primeiro ministro que Portugal vai ter nos próximos quatro anos. O nosso objectivo é ganhar as eleições no distrito e contribuir para a vitória que achamos que o país precisa que o PS tenha. Por isso não colocamos fasquias e os resultados serão os que os eleitores entenderam.

SR

– Qual é o grande adversário do PS?

JC

– A abstenção é o adversário central porque achamos que as pessoas têm de exprimir a sua opinião. Por isso, temos de fazer tudo para que as pessoas vão votar, independentemente de votarem, ou não, no Partido Socialista. Se houver uma participação baixa nós somos necessariamente prejudicados, portanto, quanto mais pessoas forem votar mais força terá o PS para poder lutar pela afirmação do distrito de Setúbal. As sondagens são um instrumento de trabalho e dá-me alguma satisfação ver que vamos à frente. No entanto as eleições só se ganham nas urnas, por isso apelo aos eleitores para votarem e não partirem do pressuposto que as eleições já estão ganhas.

SR

– O que é que os eleitores poderão esperar de um eventual executivo PS e dos seus deputados eleitos pelo distrito?

JC

– Há muitas condições para termos um distrito ainda mais desenvolvido, continuando a apostar no investimento já feito. No norte do distrito foram feitas obras como o alargamento da ponte e a travessia ferroviária. O Metro Sul do Tejo está a iniciar-se, a recuperação da frente ribeirinha e atlântica da costa vai começar dentro de dois meses. Depois, as obras previstas, como é o caso das estações de tratamento de águas residuais de Almada, Barreiro, Moita, Seixal e Setúbal, que têm quase16 milhões de contos garantidos no próximo Quadro Comunitário de Apoio para, definitivamente, tratar as questões do ambiente. Tudo isto, agregado a uma estratégia nova para promover a diversificação do desenvolvimento de Setúbal, levará a uma maior aposta na indústria do turismo e do lazer. Isto tudo, aliado à componente agrícola e das pescas, surge o desenvolvimento do litoral alentejano, através de medidas como o protocolo para o porto de águas profundas em Sines, a construção do terminal de gás natural e um conjunto de empresas apostas em investir naquela zona.

SR

– Ao escolher a Ota para a localização do futuro aeroporto de Lisboa, o Governo não terá retirado a Setúbal a possibilidade de contar com um importante pólo de desenvolvimento?

JC

– Do que o distrito precisa é de investimentos imediatos, e mesmo que fosse decidido construir aqui o aeroporto, nem daqui a dez anos estava pronto. Portanto, esse é um investimento com consequências a médio prazo. Por outro lado, é preciso notar que o Governo ainda não decidiu construir qualquer aeroporto, porque o que se fez foi tratar da questão da localização. Neste momento, o que é preciso é investir no distrito de Setúbal e é isso que garantimos fazer.

SR

– O distrito continua a registar o dobro da média nacional de desempregados. Como é que este problema pode ser resolvido?

JC

– Este é um dos problemas que mais me preocupa e por isso é que temos criado mais condições para o combater. Setúbal tem um desemprego com uma taxa muito maior que a média do país, e por essa razão têm de ser encontradas soluções. E é por isso que está em marcha o Plano Regional de Emprego. O desemprego desceu 31% nos últimos quatro anos, em Setúbal. São números oficiais que o indicam, mas de qualquer maneira o número ainda é muito grande e o problema continua a ser preocupante. E é por isso que, aliado aos investimentos públicos, a aposta local no turismo e no lazer e a fixação de mais empresas irão criar mais postos de trabalho que é do que o distrito precisa.

SR

– O que é que se propõe fazer relativamente às questões ligadas à agricultura?

JC

– Num recente encontro com agricultores do Montijo, para um balanço da situação, foi referida a necessidade de se promover a organização dos agricultores de forma a permitir-lhes competir no mercado nacional e dar resposta à entrada dos produtos estrangeiros no nosso mercado. Hoje já não tem sentido cada produtor de batata fazer a sua produção e vendê-la ao pé da propriedade e, por isso, a organização é o grande desafio que temos para a agricultura. O Estado deve continuar a apoiar e os agricultores devem organizar-se. No entanto, recordo que quem negociou a Política Agrícola Comum, em 1992, foi o ministro Arlindo Cunha e o governo do PSD. E isto é algo de que as pessoas têm de ter noção. É evidente que hoje temos de criar condições, mas o PSD é grande responsável pela situação em quer se encontram os agricultores portugueses. E vir agora dizer que dá 300 contos a cada agricultor é de um ridículo total porque não resolve nada, é irrealista porque não há fundos comunitários para pagar e é de uma injustiça tremenda porque, se calhar, há pessoas que mereciam muito mais e não o receberiam, e outras que não mereciam nada e passariam a recebiam a receber.

SR

Portugal pode perder o acordo de pescas com Marrocos. Que alternativas propõe?

JC

– Embora esteja em perigo, o acordo tem algumas garantias de renegociação entre a União Europeia e Marrocos. Mas, mais importante que isso são as garantias de que, se o acordo não for renegociado, o Governo encontrará sempre uma solução alternativa para os pescadores de Sesimbra, nomeadamente através da constituição de empresas mistas entre a Docapesca de Sesimbra e a sua congénere marroquina e no apoio, por parte do Governo, aos armadores e aos pescadores.

SR

– A toxicodependência e a marginalidade andam associadas à falta de oportunidades e de ocupação dos jovens. Como é que o PS resolveria o problema?

JC

– Primeiro, através do que temos vindo a fazer, ao nível da abertura de centros de atendimento a toxicodependentes, de programas de emprego e de mais oportunidades no ensino. Mas aqui, também há o papel fundamental das câmaras municipais que devem criar centros de lazer e de ocupação dos jovens em colaboração com as instituições governamentais. E sou um grande adepto do trabalho articulado entre a administração central e as autarquias, independentemente dos partidos que estiverem em cada lado.

E quero dizer que o PS tem investido muito em Setúbal e que tem andado muito depressa num distrito que esteve parado durante muitos anos. O PSD esteve dez anos no poder, em determinada altura a população de Setúbal fez uma aposta dando-lhe maioria absoluta e apaga que teve foi o PSD não ter feito nada durante 10 anos, com aquela velha ideia de que aqui eram todos comunistas e que não valia a pena fazer nada pelo distrito. Aqui há pessoas e, independentemente do que cada pessoa pense ou deixe de pensar, tem o direito de usufruir der condições que lhe permitam uma vida de qualidade.

SR

– António Capucho, do PSD, acusa os deputados do PS de não terem defendido Setúbal por causa da disciplina partidária. Por isso quer um trabalho conjunto, entre todos os eleitos, para defenderem Setúbal no parlamento. Concorda com o desafio?

JC

– Acho muito bem que os deputados dos vários partidos se unam e formem um grupo de pressão para defenderem os interesses de Setúbal na Assembleia da República. No entanto, quando uma pessoa propõe a criação de um lobby e a primeira coisa que faz é criticar a força principal que constituiria esse lobby, dá a ideia de que não está lá de muito boa fé. Mas acho muito bem que os deputados dos diversos partidos se unam e que reivindiquem porque isso é muito positivo para a população de Setúbal. O que as pessoas do distrito querem é ter uma melhor qualidade de vida e que se trabalhe para isso, seja no Governo, seja na Assembleia ou nas autarquias locais. É isso que pretendo fazer e, por essa razão, estou a assumir compromissos fortíssimos com a população de Setúbal. Daqui a quatro anos quero ser julgado pela população que vai dizer se cumpri ou não cumpri aquilo com que me ando a comprometer com os cidadãos.

Entrevista de Etelvina Baía
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