[ Edição Nº 106] – Aumentos nas tarifas das urbanas separa as forças na Câmara de Setúbal.

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Setúbal aprova aumentos de 2,5% nas urbanas
Oposição acusa a falta de qualidade dos serviços

          Aprovada com os votos favoráveis da maioria PS e a abstenção das bancadas do PSD e da CDU, a proposta para o aumento das tarifas dos transportes urbanos da cidade de Setúbal passou na sessão pública de dia 4 de Janeiro. Isto apesar das desconfianças da oposição quanto às melhorias prometidas no sistema oferecido pela empresa Belos Transportes, concessionária das urbanas setubalenses.

Sem pôr em causa o aumento “correcto” de 2,5%, praticamente ao nível da inflação prevista, os vereadores do PSD e da CDU abstiveram-se de votar as novas tarifas dos transportes públicos urbanos propostas pela Câmara de Setúbal, a entidade responsável pela atribuição da concessão deste sistema à Belos Transportes SA.

Uma abstenção explicada ao

pelas duas bancadas com algumas “desconfianças quanto à qualidade dos serviços a prestar”, na medida em que, segundo a vereadora social democrata Ana Isabel Alves e a vereadora comunista Regina Marques, “este aumento não corresponde às melhorias de que carecem as urbanas”.

No entender de Isabel Alves, a este novo esforço dos utentes “deveriam corresponder mais investimentos no material circulante, na pontualidade das carreiras e na quantidade de abrigos para os utentes”. Já Regina Marques vai mais longe ao garantir que “a culpa não é da Belos mas sim da autarquia”, cujo executivo socialista “ao longo de 15 anos nunca conseguiu resolver os problemas que estão na origem dos protestos dos utentes”.

De acordo com a vereadora, em causa estão prioridades como a saída da estação dos Belos do centro da cidade, a criação de vias alternativas “que permitam uma melhor circulação dos autocarros no concelho” e a criação de um sistema integrado de transportes públicos que inclua os caminhos de ferro.

Quanto às medidas tendentes à melhoria do sistema de transportes urbanos, anunciada pelo vereador do pelouro, Soares Feio, e que estarão incluídas nas regras de participação no concurso público internacional para a concessão destes serviços, já que o contrato da Belos está prestes a terminar, Regina Marques diz não acreditar em “promessas que servem de escapatória para não resolver os problemas actuais”.

A este propósito considera mesmo que Setúbal “não beneficiará nada” com a entrada de outro concessionário, uma vez que “corre o risco de ver aumentados os preços e de ver os postos de trabalho da empresa em perigo” porque “por natureza os transportes públicos não são muito rentáveis”.

E como a Belos é considerada pela vereadora comunista como uma empresa muito ligada à região e com espírito empreendedor nesta matéria, “não se importando de perder dinheiro a prestar um serviço público”, é peremptória em defender que a solução para a falta de qualidade não passa por outro concessionário mas sim “por uma atitude de coragem do executivo municipal em resolver os problemas de fundo que se arrastam há mais de 15 anos”.