[ Edição Nº 113] – PP de Setúbal desiludido com deputado exige trabalho pelo distrito.

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Edição Nº 11328/02/2000

Distrital do PP desiludida com deputado
Rejeita acusações e exige trabalho para Setúbal

         As críticas feitas pelo deputado Rosado Fernandes às queixas dos populares, sobre falta de ligação entre o parlamentar e a Distrital do PP, caíram mal no seio da Comissão Política Distrital que agora rejeita as acusações de “choraminguice”. Farto de críticas, o presidente demissionário do Conselho de Jurisdição, Carlos Dantas, resolveu pôr tudo a limpo e exigir os direitos que diz serem do PP de Setúbal.

Para que se construa um CDS/PP forte e credível em Setúbal, “mais do que choraminguices são precisos meios para trabalhar”. A afirmação é do presidente do Conselho de Jurisdição da Distrital popular que, em conjunto com toda a Comissão Política, pediu a

demissão no mês passado. A reacção de Carlos Dantas surge na sequência das afirmações proferidas pelo deputado eleito por Setúbal, Rosado Fernandes, de alegadas “choraminguices” a propósito da falta de um assessor de ligação entre o parlamentar e o distrito.

Este dirigente, que vai continuar em funções até ao congresso do PP, a realizar em Março, afirmou ao

“Setúbal na Rede” que a Distrital sente-se ofendida com a posição do deputado, tanto mais que não a considera merecedora deste tipo de críticas. E relembra que “as pessoas que estiveram na Distrital são as mesmas que entre 1992 e 1995 enfrentaram as autárquicas, as europeias e as legislativas”, conseguiram eleger o deputado Nuno Kruz Abecasis, passaram por dois referendos e voltaram a eleger um deputado, neste caso Rosado Fernandes.

Crente de que o trabalho no distrito foi frutuoso, dado que “passámos de cinco para sete concelhias, movimentámos militantes de base em todo o distrito e pagámos todas as dívidas existentes”, Carlos Dantas garante que a única coisa que não funcionou foi a questão da ligação ao parlamento “porque a direcção nacional não aceitou”. Ou seja, segundo este responsável, estes problemas não se colocariam actualmente “se o presidente do partido”, Paulo Portas, “tivesse acedido aos pedidos da Distrital”.

Lamentando todo o “investimento feito por dezenas de militantes” ao longo dos últimos anos na revitalização do PP, e de cujos bolsos “saiu também o dinheiro para campanhas eleitorais”, Carlos Dantas garante que a Distrital de Setúbal precisa de uma parcela do dinheiro ganho pelo partido através dos 21 mil votos obtidos em Rosado Fernandes, “para fazer andar o seu funcionamento”. Sem isso, acrescenta, “não há verbas para Setúbal” porque “já ninguém está disposto a gastar sem ver resultados desse investimento e do trabalho que desenvolveu durante anos”.

Na hora da saída, uma vez que a partir de Março o PP só poderá contar com os elementos desta Distrital como “militantes de base”, Carlos Dantas diz que gostaria de ter visto satisfeitos alguns pedidos no sentido de aproximar mais o partido da região, como era o caso da presença de mais elementos de Setúbal no Conselho Nacional e nos outros órgãos directivos dos populares a nível nacional.

Quanto ao deputado Rosado Fernandes, o presidente do Conselho de Jurisdição da Distrital do PP deixa um recado: “é preciso aprender que a política não se faz nos corredores do Caldas mas sim junto das pessoas, do eleitorado que deu os votos e que confiou em quem elegeu”.

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