[ Edição Nº 131] – Festival de Teatro de Almada homenageia Nuno Teotónio Pereira.

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Prémio para melhor encenação em português
Festival de Almada distingue Teotónio Pereira

          A instituição de um prémio para a melhor encenação em língua portuguesa é a principal novidade na edição 2000 do Festival de Teatro de Almada, um dos mais prestigiados do país. Tendo como tema os Espaços Teatrais, a organização homenageia o arquitecto Nuno Teotónio Pereira e descentraliza os espectáculos do Centro Cultural de Belém à Quinta da Aroeira.

Mais do que mostrar aquilo que de melhor se faz nos palcos, como já é tradição, o Festival de Teatro de Almada aposta nesta 17ª edição, cujo início está marcado para dia 4 de Julho, em incentivar a produção teatral. Por isso foi instituído o prémio António José da Silva “O Judeu”, no valor simbólico de mil contos, destinado à melhor encenação em língua portuguesa. O vencedor será conhecido dia 18, o último dia do certame.

Até lá, vão passar por Almada e também por Lisboa, 43 espectáculos de 28 companhias de teatro, 17 das quais estrangeiras. Destaque para o grupo Els Joglars de Barcelona que, em colaboração com o Teatro da Trindade, apresentam Daaalí, inspirado na figura de Salvador Dali. A organização sublinha também a presença neste certame de um dos mais prestigiados encenadores da actualidade, o suiço Luc Bondi que, em colaboração com o Centro Cultural de Belém, apresenta a peça À espera de Godot, o clássico de Samuel Beckett.

O Espectáculo de Honra está a cargo do Teatro Meridional responsável pela peça QFWFQ, Uma História do Universo, de Italo Calvino. Trata-se de uma co-produção de Portugal, Espanha e França, encenada por Miguel Seabra. Além das várias produções teatrais, a edição 2000 do Festival de Teatro de Almada traz à margem sul o pianista François Joël Thiollier, considerado um dos melhores da actualidade em todo o mundo, inaugurando um novo espaço no certame, a Herdade da Aroeira. Vai ser apresentado um concerto inserido nas comemorações dos 400 anos do nascimento do compositor Johann Sebastian Bach.

Estão também previstos vários espectáculos de rua, dança e música, para além de exposições e encontros de reflexão. Joaquim Benite, director da Companhia de Teatro de Almada, organizadora do evento, em colaboração com a autarquia, pretende que o Festival de Teatro seja cada vez mais “um espaço de reflexão onde as companhias participantes possam debater os espectáculos umas das outras”.

À espera de 15 mil espectadores

Por seu lado o vereador da cultura, António Matos, espera que a iniciativa seja “uma montra do melhor teatro que se faz na Europa e no Mundo”. Em declarações ao

“Setúbal na Rede”, o autarca fez questão de recordar um artigo publicado no diário francês Le Monde que classifica o Festival de Teatro de Almada como “um dos três mais importantes do mundo”.

Para António Matos esta classificação é um motivo de orgulho “mas também de grande responsabilidade” já que a iniciativa representa o maior investimento cultural da autarquia, cerca de 23 mil contos. A fatia maior vem do Ministério da Cultura que contribui com perto de 40 mil contos para um orçamento que ronda os 100 mil, contando ainda com particulares e empresas.

Os bilhetes não são uma fonte de receita porque os preços têm sido mantidos sem alteração nos últimos três anos. A assinatura, que dá acesso a todos os espectáculos, custa 10 mil escudos para adultos e metade do preço para jovens até aos 25 anos. O público tem respondido bem, enchendo as salas. Segundo o vereador António Matos, “há quem tire férias nesta altura para poder ir à praia de dia e à noite aproveitar os espectáculos”. Este ano a organização espera 15 mil espectadores.

O palco principal continua a ser a escola D. António da Costa, com capacidade para quase mil pessoas. O Teatro Municipal e o Fórum Romeu Correia são outros dos locais eleitos. O tema do festival este ano são, precisamente, os Espaços Teatrais, pelo que o homenageado é o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, que tem mantido uma actividade ligada ao teatro e ao concelho de Almada. Deve-se a Nuno Teotónio Pereira a nova igreja de Almada, edificada nos finais dos anos 60. O arquitecto foi também responsável, ainda na juventude, por um projecto de um cine-teatro para a Cova da Piedade, que não chegou a ser construído.

No entanto, a obra de referência do arquitecto foi o histórico teatro Primeiro Acto, em Algés, no tempo de Salazar, “quando construir teatros era um acto de coragem”, lembra a organização. Em declarações ao “Setúbal na Rede”, Nuno Teotónio Pereira declarou-se “honrado” por ficar associado a um certame “que já hoje tem um enorme prestígio e que em cada ano se supera a si próprio”.