[ Edição Nº 135 ] – Câmara de Almada reúne com ICN para discutir via rápida da Caparica.

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Reunião decisiva para a via turística
Câmara de Almada é ouvida pelo ICN

         Depois de muita polémica e argumentos trocados pela comunicação social, a Câmara de Almada e o presidente do Instituto de Conservação da Natureza, vão estar frente a frente para uma reunião sobre a projectada Via Turística. 

Duas semanas depois de ter emitido um parecer negativo sobre o traçado da Via Turística, entre o Lazarim e a Aroeira, o presidente do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) recebe, dia 1 de Agosto, a presidente da Câmara de Almada. Foi Maria Emília Sousa que pediu o encontro para “esclarecer algumas questões que vieram a público, envolvendo a obra em grande controvérsia”. Segundo a autarca, “esta estrada é fundamental para todo o concelho e a sua legalidade não pode ser discutida na praça pública, como tem vindo a acontecer”.

Maria Emília Sousa está convicta de que o chumbo do ICN à obra, por afectar parte da Reserva Botânica Nacional e a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil, resulta de um desconhecimento do terreno por parte dos técnicos da administração central. Por isso, pediu aos técnicos da autarquia que elaborassem uma mapa com o traçado da estrada e as fronteiras das zonas sob protecção ambiental. Dos 3.447.250 metros quadrados da Reserva Botânica da Mata dos Medos “só 0,75%, ou seja, 26 mil metros quadrados vão ser afectados pela nova estrada” garante a autarca. E quanto à Arriba Fossil, a estrada bordeja apenas parte da área protegida e “onde se aproxima mais fica ainda a 240 metros da crista da Arriba”, explica a edil.

No encontro com os jornalistas, realizado no dia 26 de Julho, no Fórum Municipal Romeu Correia, a presidente da Câmara de Almada lembrou os factos históricos que estiveram na base do projecto da Via Turística. Maria Emília de Sousa recuou até à década de 70 quando os municípios de Almada, Seixal e Sesimbra decidiram criar um plano conjunto de circulação e transporte.

Depois a autarca recordou o incêndio de Julho de 82 na Mata dos Medos, onde arderam 35 hectares da Reserva Botânica. Em Março de 84 a Câmara propôs a criação da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil e em 93 pediu a revogação do ramal ferroviário da Costa da Caparica, um projecto da década de 60 que prevê o atravessamento de toda a área protegida por um comboio. Este pedido de revogação, segundo Maria Emília de Sousa, “ainda não foi atendido”. Estes factos são elucidativos, segundo a autarca, “da consciência ecológica e ambiental dos técnicos e responsáveis do município”. E são estes factos que estarão em cima da mesa do diálogo com o arquitecto Carlos Guerra.

Além da análise histórica dos factos, estará também em evidência o presente. É que as propostas para a primeira fase da obra, até ao Giramar, já foram abertas. Sete empresas concorreram à concessão da obra que tem um perfil de duas faixas, num total de quatro vias, com sete rotundas de mil em mil metros. As propostas da segunda fase da obra, também já em concurso público, serão abertas em Setembro. Mesmo assim Maria Emília de Sousa não quis adiantar uma data para o início das obras acrescentando que “ainda há muito trabalho a fazer antes de rasgar a estrada”.

A dimensão desta via “é fundamental para o desenvolvimento de todo o concelho, em especial da Charneca e da Costa da Caparica”, sublinhou a autarca para explicar a presença, ainda que silenciosa, dos presidentes das respectivas juntas de freguesia e também do presidente da Assembleia Municipal nesta conferência de imprensa.