SETÚBAL NA REDE – Festival de Almada

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Edição Nº 25,   22-Jun.98

Num ano difícil
Festival de Almada dá um salto em frente

           A edição deste ano do Festival Internacional de Teatro de Almada vai decorrer entre os dias 4 e 18 de Julho, com a presença de 17 companhias estrangeiras e 20 portuguesas, num total de 50 representações de 38 espectáculos diferentes. O programa oficial foi apresentado à comunicação social no passado dia 18.           O destaque da décima quinta edição do Festival de Almada vai para a companhia de Peter Brook, o Centre International de Créations Théâtrales, que irá apresentar “Je Suis um Phénomène”, uma produção estreada recentemente em Paris e que subirá à cena no Teatro da Trindade, em Lisboa.           A este palco juntam-se outros nove espaços, quatro deles ao ar livre, estando o palco principal instalado na Escola D. António da Costa, em Almada. Serão exibidos espectáculos ainda no Forum Romeu Correia, no Teatro Municipal e na Casa da Cerca.           Além de Peter Brook, há espaço ainda para outras grandes referências do teatro mundial, nomeadamente através dos dois ciclos de homenagem a Bertolt Brecht e Frederico Garcia Lorca, cujos centenários de nascimento se assinalam neste ano, com espectáculos, recitais, debates e exposições relacionadas com os autores.           Um dos espectáculos de homenagem a Brecht é mesmo uma estreia e trata-se de uma antologia de canções e textos interpretados por Lia Gama e Jorge Palma, entre outros artistas, e encenada por Jorge Silva Melo para a companhia Artistas Unidos.           A homenageada da décima quinta edição do Festival de Almada é Maria Germana Tânger, que foi professora de expressão vocal, tendo ensinado várias gerações de actores. Na conferência de imprensa de apresentação do festival deste ano, a homenageada fez questão de deixar um apelo a todos os seus antigos alunos para que estejam presentes no dia da homenagem, pois teria muito gosto em revê-los.

          Joaquim Benite, o director do Festival, anunciou na referida conferência de imprensa que este ano dispôs do maior orçamento de sempre, cerca de 75.000 contos, conseguidos através de patrocínios e apoios, nomeadamente do Ministério da Cultura que entrou com a maior fatia, num sinal claro de “reconhecimento pelo trabalho desenvolvido nos anos anteriores e pela importância que este festival já atingiu”.

          Apesar das verbas disponíveis serem as maiores de sempre, o próprio Joaquim Benite acabou por concluir que mesmo assim “os orçamentos são cada vez mais reduzidos porque o festival é cada vez mais ambicioso”, deixando claro que não tem, no entanto, intenção de aumentar o custo dos bilhetes. A política de fazer preços baratos mantém-se e é por isso que temos muito público, porque o objectivo não é ter lucro”, acrescentou.
          A realização da Expo’98, em Lisboa, não podia deixar de vir à baila com as lamentações de Joaquim Benite em relação às dificuldades de conseguir alojamentos para os convidados. O director do festival diz que “este é um ano difícil, mas o festival tenta dar o salto em frente, pois esse é o resultado da política seguida”.
          Mas houve casos em que a Expo veio por bem. A encerrar a edição deste ano do Festival Internacional de Teatro de Almada vai estar a repetição de um dos maiores êxitos de sempre do evento, o espectáculo “Viagem ao Centro da Terra” pelo grupo La Troppa, aproveitando o facto desta companhia se deslocar à Exposição Universal.