[ Setúbal na Rede] – Ambiente – Opinião

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Reserva Natural do Estuário do Sado
 

Respeitar a natureza e o património


Turismo, Ambiente e Cultura são três conceitos distintos que, se têm vindo a aproximar cada vez mais com o surgimento de uma nova consciência, que procura aliar o lazer ao respeito pela natureza e património.

É neste contexto que surge o interesse em desenvolver projectos museológicos que, de algum modo, proporcionem uma resposta adequada a este tipo de procura.

Os ‘museus do futuro’ deverão tornar importante o restauro do património e a recuperação de valores tradicionais para que a memória colectiva das populações não se perca, garantindo a sobrevivência de valores do passado nas gerações posteriores. Os novos conceitos de ecomuseologia procuram, exactamente, apostar na harmonia entre o turismo, a promoção ambiental e características intrínsecas a cada região, criando espaços ambiciosos por envolverem tantas vertentes diferentes mas de uma mesma realidade.

As Áreas Protegidas, com os seus projectos próprios de conservação e desenvolvimento, desempenham um papel fundamental na tarefa de implementar pólos museológicos que valorizem as riquezas de cada região e transmitam às populações a mensagem de que é necessário preservar determinados bens e testemunhos. Para tal, torna-se necessário reactivar um tratamento mais exaustivo do património, cultura, artesanato e todos os bens inerentes a cada zona, trabalho este que, pode bem ser integrado os objectivos de cada Área Protegida.

Assim, meio ambiente, cultura e turismo formam uma dialéctica constante na luta contra situações de abandono e descaracterização.

A ideia é criar pólos museológicos e circuitos integrados, que permitam às pessoas interpretar a paisagem ambiental e culturalmente, de modo educativo. Como suporte, centros munidos de estruturas que possibilitem aos interessados o acesso a um vasto leque de informação complementar. Espaços lúdico-educativos, com mini-bibliotecas especializadas, salas de exposições e outros espaços que informam as pessoas sobre a região, os seus valores e características e, também, sobre a Área Protegida em que se insere. Temas como a descrição de cada zona, englobando áreas como os tempos geológicos, ecossistemas, povoamento ou actividades económicas tradicionais, são essenciais em projectos desta natureza.

Uma questão interessante é a aposta no saber dos idosos, que guardam memórias fabulosas de tempos idos, como jogos tradicionais, permitindo levar as populações a participar activamente.

A recuperação de tabernas, moinhos, reactivação de lagares, são questões que poderão ser postas em prática, enriquecendo a região e contribuindo para o sucesso deste tipo de projectos.

Para que tudo isto seja possível, é necessário mobilizar as entidades locais e nacionais e acreditar que as vontades mudam com os tempos e que, por isso, o país acabará por entender a necessidade da preservação do património colectivo, passado e presente.