CONECTARTE – FIGURAS

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Bandarra

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António Gonçalves de Bandarra (1500-1556) nasceu e faleceu em Trancoso. Tendo exercido a profissão de sapateiro, dedicou-se à divulgação em verso de profecias de cariz messiânico. Por causa disso, foi acusado pela Inquisição de judaísmo e as suas trovas foram incluídas no Catálogo de Livros Proibidos.  1530 a 1540: Compõe suas trovas.  1541: Julgado pelo Tribunal do Santo Ofício, condenado com uma pena leve. Retorna a Trancoso onde vem a falecer em 1556

D. João de Castro foi o editor da primeira edição conjunta das trovas, com o título Paráfrase e Concordância de Algumas Profecias de Bandarra, publicadas provavelmente em Paris no ano de 1603. A obra foi bem recebida pelos nacionalistas portugueses que aspiravam libertar-se do jugo de Espanha, interpretando as trovas como uma profecia ao regresso do Rei D. Sebastião. 

Em 1802, as trovas tiveram uma segunda edição, na cidade francesa de Nantes, patrocinada pelo Marquês de Nisa. 

São reimpressas em 1809 (Barcelona e Londres), aquando das invasões francesas, com prefácio de Frei José Leonardo da Silva. 

Em 1815, com o título Trovas Inéditas do Bandarra sai uma nova edição. Entre 1822-1823, com o título Verdade e Complemento das Profecias, uma outra. 

As Trovas do Bandarra influenciaram o pensamento sebastianista e messiânico de Padre António Vieira e de Fernando Pessoa, que ligou as profecias de Bandarra à realização de um V Império em que os portugueses seriam a entidade central:

“Sonhava, anónimo e disperso, O Império por Deus mesmo visto, Confuso como o Universo E plebeu como Jesus Cristo. Não foi nem santo nem herói, Mas Deus sagrou com Seu sinal Este, cujo coração foi Não português, mas Portugal. “

Fernando Pessoa, sobre o Bandarra 

” … Convosco falo estas couzas  Como com um grande letrado Mas umas são perigosas E as outras duvidosas Ainda não hão começado  … Vejo o mundo em perigo,  Vejo gentes contra gentes; Já a terra não dá sementes, Senão favacas por trigo Já não há nenhum amigo, Nenhum tem o ventre são, Somos já vento soão, Que não tem nenhum abrigo  ….”