[ Dia 28-02-2001 ] – Palmela e IPPAR protegem grutas.

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Palmela e IPPAR protegem grutas

Salvaguardar e valorizar a Necrópole Calcolítica, conhecida por grutas artificiais de Quinta do Anjo, em Palmela, é o objectivo do protocolo assinado hoje (28 de Fevereiro), entre a Câmara de Palmela e o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). Desta parceria vai nascer a implementação de requalificação da zona adjacente às grutas, bem como uma extensão do Museu Municipal de Palmela, onde estarão expostas as réplicas do espólio encontrado e, entretanto, enviado para o Museu Nacional de Arqueologia e para o Centro de Geologia de Lisboa.

O acordo entre as duas entidades tem a validade de um ano mas será renovável desde que os interessados o queiram e obrigam o IPPAR a comparticipar financeiramente na implementação do projecto elaborado pela Câmara Municipal. Para Carlos de Sousa, o presidente palmelense, a entrada em vigor do protocolo que prevê “a salvaguarda e a valorização do sítio arqueológico” considerado um dos mais importantes da Europa, é “a concretização do que vinha sendo reivindicado pela população e pela autarquia desde 1974”.

Para o autarca, a revalorização daquele espaço torna-se fundamental para proteger e divulgar este património arqueológico com mais de 4.500 anos. Por outro lado, a criação de infra-estruturas, no local, como a extensão do Museu Municipal e o enquadramento paisagístico e social das grutas, é para a freguesia “uma mais valia” do ponto de vista turístico e cultural, avança o presidente da Câmara no que é secundado pelo presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, Joaquim Simões que acredita ser este o ponto de arranque para a promoção do turismo cultural naquela zona do concelho.

Já o presidente do IPPAR, Luís Calado, deu o maior ênfase à envolvente do enquadramento social e natural a contemplar no projecto de revalorização das grutas e do espaço circundante. É que, segundo conta Luís Calado, os estudos e projectos a efectuar “devem contemplar, não só o monumento, como também o seu relacionamento com o espaço natural e o espaço social em que está integrado”, pois cada vez mais a noção de monumento tem a ver com estes três vectores fundamentais.

Mas apesar do recado, o presidente do IPPAR diz-se confiante na capacidade da Câmara de Palmela em levar em frente o projecto de desenvolvimento local com base no património arqueológico e cultural. Uma certeza também lançada pelo presidente da Câmara ao avançar com mais um projecto na ‘manga’: a recuperação e reutilização da Igreja de São João, actualmente desactivada. A ideia, já discutida informalmente com o presidente do IPPAR, é recuperar o espaço para a criação de um museu sobre o património religioso no concelho.

Para já, Carlos de Sousa vai ‘amadurecer’ o projecto inicial avançado há alguns anos junto do primeiro Bispo de Setúbal, D Manuel Martins, para lançar o desafio formal, a breve prazo, à entidade detentora daquele património: a Diocese de Setúbal, na pessoa do actual Bispo, D. Gilberto Canavarro dos Reis.