[ Dia 11-12-2001 ] – Alberto Antunes, presidente da Federação Distrital de Setúbal do PS.

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Setúbal na Rede – A cinco dias da ida às urnas, mantém as expectativas iniciais do PS relativamente ao reforço do número de câmaras socialistas?

Alberto Antunes – O PS esteve e está nesta campanha eleitoral para manter as câmaras que tem e disputar as outras. Sabemos que a vitória nos 13 concelhos é difícil, para não dizer impossível, contudo temos expectativas muito positivas de aumentar e reforçar o número de câmaras e de juntas de freguesia.

SR – De acordo com as últimas sondagens, poderá ocorrer um empate técnico entre as candidaturas socialista e da CDU no Barreiro. Acredita que o PS poderá vir a ganhar esta autarquia?

AA – Acreditamos que esta vitória está claramente ao nosso alcance e tudo faremos para que isso aconteça. A não ser que ocorram factores que perturbem ou que, de alguma forma, confundam o eleitorado.

SR – A que factores se refere?

AA – Às vezes somos confrontados com campanhas de difamação e de calúnia, e com alguns boatos que, infelizmente, não temos capacidade para combater porque não conseguimos aceder com facilidade aos órgãos de comunicação social, contrariamente ao que acontece com a CDU. E isso pode, de facto, criar um clima de inversão da tendência que constatamos e que, neste momento, é claramente ascendente para o PS. Começamos num patamar relativamente baixo, temos vindo sucessivamente a conquistar terreno e ainda não parámos de subir. Portanto, se não ocorrerem factos como calúnias e campanhas de auto-vitimização, por parte da CDU, que perturbe este movimento ascendente, acreditamos que a vitória do PS no Barreiro acabará por se concretizar.

SR – Que outras câmaras acredita poderem vir a ser ganhas para o PS?

AA – Acredito que é possível ganhar mais câmaras na  península de Setúbal e uma ou duas no litoral alentejano. Não gostaria de avançar com nomes de câmaras, mas acredito que podemos ganhar duas ou três na península e, pelo menos, uma no litoral alentejano. Nesta zona do distrito, a minha esperança radica em três concelhos: Sines, Santiago do Cacém e Grândola. Mas não consigo dizer qual deles é o que está mais bem situado, relativamente a uma vitória do PS. 

SR – Coloca Alcácer do Sal fora das expectativas de vitória?

AA – Acho que uma vitória do PS em Alcácer é muito difícil e até uma hipótese muito remota. E isso deve-se, talvez, a alguma falta de força e de mobilização da campanha do PS naquele concelho. Penso que não conseguimos imprimir a dinâmica necessária.

SR – Isso estará relacionado com o facto do candidato escolhido ser uma figura algo polémica no concelho?

AA – Admito que também possa ser por isso. Acho que esta foi a aposta possível, tendo em conta as condições concretas de Alcácer do Sal. Até porque este é o concelho do litoral alentejano onde existe uma maior diferença percentual entre o PS e a CDU.

SR – Acredita na reeleição de Mata Cáceres em Setúbal?

AA – Acredito que sim. É uma aposta difícil, pois trata-se de um dos combates mais renhidos dos últimos tempos. Contudo, estou convicto de que existem todas as condições para uma vitória do PS. 

SR – Receia que dossiers polémicos como o da Nova Setúbal e da co-incineração possam vir a penalizar o candidato socialista?

AA – É provável que, por não terem sido devidamente explicadas, estas questões possam, eventualmente, afectar um pouco o score eleitoral de Mata Cáceres. Mas não podemos esquecer, por exemplo, que temos a co-incineração em Setúbal graças à convergência dos votos dos deputados do PSD, do PCP e do Bloco de Esquerda. Curiosamente, são esses os partidos que hoje aparecem como os arautos da contestação.

A demagogia está de tal forma instalada que o candidato do PSD chega mesmo a exigir a saída da Secil da Arrábida, quando toda a gente sabe que foi o partido dele que negociou e aumentou os direitos de exploração da Serra quando quis privatizar a empresa.

SR – A campanha eleitoral que o PS tem na rua corresponde àquilo que idealizou?

AA – A campanha que temos vindo a fazer corresponde exactamente ao que tínhamos previsto e temos vindo, claramente, a mobilizar as pessoas. O PS tem vindo a desenvolver um grande esforço nesta campanha, há um sempre a presença e o grande acompanhamento das iniciativas, por parte da Federação Distrital, há mais meios na rua do que há quatro anos atrás e creio que, com todo este trabalho, estamos a gerar dinâmicas extremamente fortes na totalidade dos concelhos. Temos, não só os melhores candidatos como as melhores propostas e as melhores ideias.

SR – Como é que vê o argumento de outras candidaturas, de que, nestas eleições autárquicas, o PS poderá vir a ser penalizado pelo fim da ‘onda rosa’ a nível nacional?

AA – Essa é uma possibilidade com nos podemos defrontrar, mas espero que a dinâmica local seja superior a alguma contrariedade relativamente ao patamar em que neste momento nos situamos.

SR – Com a mobilização do eleitorado, que diz ter vindo a ser feita, acredita numa redução do número de abstencionistas nestas autárquicas?

AA – De facto, a abstenção é o grande inimigo do PS nestas eleições. E é em relação a este inimigo que não consigo fazer previsões com alguma segurança. Mas temos consciência de que quer a estrutura colectiva quer os candidatos, deram o seu melhor para tentar mobilizar as pessoas, reconciliá-las com a política e levá-las a tomar uma posição nas eleições do próximo dia 16. Só depois de encerradas as urnas é que poderemos saber se essa nossa tarefa teve êxito.  seta-3589237