[ Dia 28-12-2001 ] – PS vence Câmara de Grândola.

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PS vence Câmara de Grândola

A eleição do independente Carlos Beato, pelo PS, como presidente da Câmara Municipal de Grândola, com uma maioria absoluta de 43,31%, quatro mandatos, constitui a principal novidade das eleições de 16 de Dezembro no litoral alentejano. Com esta vitória os socialistas afastam o concelho do monopólio da CDU há 25 anos.

Fernando Travassos da CDU e actual autarca ainda em funções, que alcança 42,20% da preferência de voto do eleitorado, três mandatos, considera que perdeu a autarquia grandolense porque “a população reagiu à mudança, reabilitação e ordenamento do território” descrevendo-a como “uma questão cultural”.

Fazendo uma leitura a nível nacional considera que se deram muitas alterações e que houve uma aceitação geral e indicadores de mudança na maioria dos concelhos. Segundo Fernando Travassos, pela primeira vez nas autárquicas “os discursos superficiais de mudança são aceites pelo eleitorado”. Um fenómeno sobre o qual “a esquerda tem de se interrogar”, afirma o autarca.

O ainda presidente mostra-se convicto da obra feita e adianta que, o caso de Grândola “será dos poucos em que os slogans da oposição não foram contra as suas obras mas pela forma como foram feitas”.

Diz também não estar “desanimado” porque não vê os resultados “como uma derrota”. Fernando Travassos afirma que a sua “forma de estar na política” corresponde a “uma visão que tem a ver com ideias e projectos”.

Quanto à aceitação de pelouros não quer pronunciar-se, “tudo depende da posição do novo presidente eleito”. Nos próximos quatro anos espera ver “os reais projectos que a campanha do PS não elucidou”. Para já, dá o benefício da dúvida ao presidente eleito, Carlos Beato, de quem o “Setúbal na Rede”, não  pode obter reacções, apesar dos esforços desenvolvidos nesse sentido desde 16 de Dezembro.

António Gamito do Bloco de Esquerda que alcança o resultado de 1,23%, vê a vitória do PS como “a vitória do descontentamento do eleitorado em relação à CDU, conquistada por alguma arrogância dos comunistas e consubstanciado na criação de empresas municipais”

O ex-candidato à autarquia grandolense considera que a população entendeu que o Bloco de Esquerda “não tinha força suficiente para desafiar os comunistas ao poder, apesar da aceitação que houve em relação às ideias e projectos apresentados pelo partido” e, por isso foram vítimas da “bipolarização entre o PS e a CDU”.

Por sua vez, o PSD chega aos 10,09% e continua sem eleger qualquer vereador. Na corrida à Assembleia Municipal de Grândola a vitória foi também para os socialistas que conseguiram dez eleitos com 43,79%, enquanto que a CDU alcançou nove eleitos com 41,90% e, o PSD dois eleitos com 9,91%.  no que diz respeito à votação para as freguesias, a CDU consegue apenas a sede de concelho, a juntar a Melides e Carvalhal, já em poder do PS, surgem Azinheira de Barros e Santa Margarida da Serra.

De assinalar que na freguesia de Azinheira de Barros o Bloco de Esquerda conseguiu mais votação do que a que obteve o PSD. 

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