[ Dia 05-08-2003 ] – ENTRE LINHAS por Brissos Lino.

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05-08-2003 

ENTRE LINHAS
por Brissos Lino
(Professor Universitário)



Um verão cheio e quente

Este ano não há sinais de se querer entrar na tradicional silly season. Os factos políticos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa, e há muita gente da política que não pode ir descansadamente de férias. Desde a calamidade nacional que os fogos representam, ao embrião de revolta dos chefes militares contra um ministro da Defesa mal amado, e passando pelo debate sobre a Justiça que temos, aí está um Verão politicamente quente.

 

BBC versus Tony Blair

A prova de força entre o gigante mediático e o governo britânico já produziu baixas, ou seja, um suicídio, embora muita gente suspeite de assassinato.

A imoralidade da guerra do Iraque está a tornar-se mais evidente a cada dia que passa, porque foi baseada numa mentira colossal, e os cidadãos não são estúpidos embora por vezes o possam parecer. Neste momento Tony Blair tem a cabeça a prémio, entre os seus eleitores, e começa a duvidar-se da reeleição de George W. Bush, até há pouco considerada pacífica.

Tudo porque, afinal, os fins não podem justificar os meios, especialmente quando se tomam decisões importantes e gravosas nas costas de quem é suposto representarmos.

Saddam Hussein acabará por morrer, tal como os filhos, mas pelos vistos ainda vai partir muita loiça… Terrorismo ao sol

Os terroristas da ETA rebentaram com dois hotéis em Benidorm e Alicante, num sinal claro de quererem prejudicar o turismo espanhol em época alta. Muitos são os portugueses que fazem praia em Benidorm, pelo que estes actos inqualificáveis deveriam suscitar a mais profunda repulsa de todos nós, vizinhos ibéricos.

Os etarras nem sequer representam o povo basco. Só a eles próprios. E sacrificar inocentes estrangeiros e cicis revela bem o baixo carácter dos autores materiais e morais destes actos bárbaros.
 

Um escândalo consentido

Afinal o líder do maior partido da oposição tem vindo a ser escutado impunemente, às ordens de um juiz qualquer. Ferro Rodrigues tem razão em dizer que a democracia parece estar aprisionada. Estes métodos são inadmissíveis quando aplicados desta forma. Não porque o secretário geral socialista esteja acima dos outros mortais, mas porque é efectivamente um perigo para o sistema democrático que se roube assim, de ânimo leve, a privacidade ao PR, ao líder da oposição ou a outras figuras com elevadas responsabilidades no futuro colectivo do país, que desta forma se sujeitam a possíveis chantagens pessoais e políticas, ou à utilização perversa de estratégias políticas.  

E o Procurador, em vez de andar a escrevinhar artigos de opinião para os jornais e a debitar declarações de rua, avulsas, melhor faria se cultivasse uma postura mais institucional, de acordo com a dignidade do cargo que ocupa, sem tentações corporativas e imobilistas, ajudando a abrir a porta às mudanças que se impõem, em matéria de escutas e outras, cuja necessidade e urgência só não vê quem não quer. De resto, o PR já tomou posição sobre o estado da Justiça, e fê-lo de forma pedagógica como convém.
 

O PCP continua míope

Rubens de Carvalho teve o desplante de admitir à “Capital” que aceita a pena de morte em Cuba. Pois. Como diz o outro, depois de ver um porco a andar de bicicleta tudo é possível. Mas isso era no circo… E pensar que este senhor esteve a um passo de ganhar a câmara de Setúbal há uns anos atrás. Safa…
 

O velho, o rapaz e o burro

Em 2002 José Vitorino exigia mais fiscalização aos motards na concentração de Faro. Em 2003, José Vitorino indignou-se com a GNR pelas operações de fiscalização, que detectaram, aliás, inúmeras irregularidades e até motos roubadas.

O que é que mudou? Faro? A concentração motard? A GNR? Não, o senhor presidente daquela câmara algarvia, que deve andar a fazer um curso de catavento.
 

Se cá nevasse…

Segundo indicadores do Observatório de Turismo, Setúbal teve um aumento de procura no primeiro semestre deste ano.

Livres da co-incineração no Outão e com a Etar concluída e a funcionar, imaginem que a marina já estava construída, que a zona ribeirinha, o Polis e o Proqual também já estavam concluídos, que o convento de Jesus e o património histórico em geral estavam restaurados, que a cidade se apresentava realmente mais limpa, etc, etc.

Até lá, como dizia o nosso Sebastião da Gama, “pelo sonho é que vamos”.
 

Indecente

O governo reteve ilegalmente o IRS doado para fins religiosos e de beneficência, a pretexto do atraso na regulamentação da mesma lei, que é da responsabilidade… deste mesmo governo. Realmente já não há pachorra para aturar uma ministra das Finanças para quem o que interessa é sacar o mais possível e de qualquer maneira aos contribuintes. Nem que seja à revelia da lei. seta-7318116