[ Dia 15-10-2003 ] -PCP exige “transparência” no plano de reconversão da Quimiparque.

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PCP exige “transparência”
no plano de reconversão da Quimiparque

A Comissão Concelhia do Barreiro do PCP exige mais transparência no processo de reconversão da Quimiparque, e volta a dizer não à proposta Masterplan para aqueles terrenos. O PCP diz “desconhecer o ponto de situação deste projecto”, e defende que qualquer projecto para aquela zona tem de ser discutido com os trabalhadores e a população do concelho, que “têm uma ligação histórica muito forte” com aquela área.

Paulo Deus, da Comissão Concelhia do Barreiro do PCP, disse ao “Setúbal na Rede” que o PCP e também a população do Barreiro “desconhecem” em que ponto está o Plano de Reconversão da Quimiparque, o que “contraria recentes notícias de que o projecto estaria numa fase de apresentação pública”. Segundo Paulo Deus, desde a apresentação do Masterplan, no início do ano, a Câmara do Barreiro “não deu mais pormenores sobre este projecto”.

Depois da apresentação, ocorreram duas reuniões, nas quais participou o PCP, e esteve exposta uma maqueta nas Festas do Barreiro, mas “nada mais de concreto tem sido dito ou feito”, refere Paulo Deus. Para o dirigente comunista, “as coisas não podem ser feitas de costas voltadas para os trabalhadores e para a população, em geral”, e, qualquer projecto de reconversão para aquela área deve ser feito “às claras, com a participação de todos os envolvidos”, ou seja, as organizações representativas dos trabalhadores, das autarquias, das populações, dos agentes locais, da Quimiparque e do Ministério de tutela.

Além disso, o PCP denuncia aquilo que chama de “jogo do empurra” entre a Câmara do Barreiro e a administração da Quimiparque, que não se entendem sobre quem tem a responsabilidade de levar a cabo o plano de reconversão para os terrenos daquele parque industrial. Por um lado, “a autarquia diz que não lhe compete porque não é proprietária dos terrenos”, e, por outro lado, a Quimiparque diz que, “a partir do momento em que apresentou a proposta, já não tem mais responsabilidades na matéria”. Para Paulo Deus, “é óbvio que a câmara tem responsabilidades”, pois os terrenos em causa representam cerca de 10% do território do concelho do Barreiro.   

Assim, o PCP vem mais uma vez “dizer não ao Masterplan”, uma proposta que considera “muito má”, pois traduz-se num um projecto “meramente imobiliário”, em que cerca de 84% da área se destina à construção de habitações. Além disso, o projecto é pensado para uma recuperação por zonas, o que, no entender de Paulo Deus, “não dá garantias de uma recuperação integrada de todo o parque industrial”.

“Mas mais grave do que isto”, refere Paulo Deus, é o facto de os “interesses imobiliários” poderem determinar o desaparecimento de muitas indústrias. Para o PCP, não só é “muito importante” que se mantenham as empresas que actualmente laboram no parque e os respectivos postos de trabalho, como também o Plano de Reconversão da Quimiparque “deve investir em novas actividades económicas amigas do ambiente e geradoras de mais trabalho e riqueza”.

Para o PCP, o Plano de Reconversão da Quimiparque deve contribuir para a “afirmação do Barreiro como pólo importante na produção de riqueza para a região e para o país”, que vise a qualidade de vida dos trabalhadores e da população do Barreiro e que “valorize a sua rica cultura industrial”. Paulo Deus diz que deve ser um projecto que represente uma “mais-valia para a economia do concelho”, que melhore o ambiente e que “não encare a Quimiparque isoladamente”, mas que tenha em conta a renovação urbanística do concelho.

Paulo Deus disse ainda ao “Setúbal na Rede” que o PCP está a fazer circular um abaixo-assinado, que muito em breve vai ser entregue a várias entidades, entre as quais a Quimiparque e a Câmara do Barreiro, a exigir “garantias sérias” de que o Plano de Reconversão para os terrenos do parque industrial “não seja feito de costas voltadas para os trabalhadores e a população”.

O “Setúbal na Rede” tentou contactar o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Emídio Xavier, mas até ao momento não obteve qualquer resposta. seta-4342267