[ Dia 23-09-2004 ] – Autarcas e utentes contra tarifas e horários do comboio da ponte.

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Autarcas e utentes contra
tarifas e horários do comboio da ponte

Os autarcas e a Comissão de Utentes dos Transportes da Margem Sul (CUTMS) querem que o preço dos bilhetes do comboio da ponte seja acessível. O presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Álvaro Amaro, acredita que “só assim as pessoas utilizam o comboio”. A CUTMS alerta também para a necessidade “de rever os horários e o número de comboios”. A freguesia de Palmela está preocupada com as acessibilidades à nova estação.

Apesar das vantagens para o desenvolvimento, Álvaro Amaro defende que a melhoria das condições de mobilidade só acontece “se as pessoas forem convencidas a abdicar dos meios próprios de transporte”. Para isso, as tarifas “têm de ser acessíveis”. Os próprios horários “devem ser atractivos e com viagens frequentes”. Contudo, a Fertagus já fez saber que a frequência dos comboios vai ser menor do que a das linhas de Cascais, Sintra e Azambuja, e haverá períodos do dia com comboios de hora a hora.

O membro da CUTMS, Manuel Soares, acredita que as principais dificuldades com que os utentes se vão deparar, são “o preço dos bilhetes”, como também nas horas de ponta “vai existir uma grande saturação”. As pessoas “vão ter de apanhar os comboios mais cedo” para “não se atrasarem”, pois o número de comboios “vai continuar a ser o mesmo”. Manuel Soares acrescenta que no período da manhã “todas as acessibilidades a Lisboa vão estar cheias”.

Além disso, Álvaro Amaro defende que “é preciso garantir um crescimento demográfico e urbano equilibrado e controlado”. Isto porque, o comboio “vai atrair novos habitantes”. O autarca argumenta que a vinda do comboio “tem ser acompanhada pelo investimento em outras infra-estruturas”. Como se caminha “para a criação de uma grande comunidade” vão ser necessárias “melhorias nos postos de saúde, a ampliação do posto da GNR, a criação de notários e finanças”.

O presidente da Junta de Freguesia de Palmela, João Gabriel Baptista, também acredita que a população de Aires “vai aumentar”. Principalmente, porque a localidade “passa estar mais perto de Lisboa”. As plataformas da estação de Palmela estão, normalmente, vazias mas João Gabriel Baptista está confiante que “a situação vai mudar”. Contudo, “a mudança depende da melhoria das estradas de acesso”.

“Há muito que as vias estão obsoletas”, garante o presidente. A alternativa à estrada 379 que liga o Cabo Espichel a Aires está projectada, mas “nunca passou do papel”. A ligação entre Setúbal e Montijo “precisa de ser largada e melhorada”. Apesar das obras estarem previstas para este ano, “nada foi feito”. A via de ligação de Palmela à Moita “tem má sinalização e as bermas são fundas”. O Instituto de Estradas de Portugal (IEP) garantiu à junta que no início de 2005 a situação avança.

Os atrasos de todo o processo do comboio da ponte “preocuparam muito a população do Pinhal Novo”, garante o presidente. Os novos habitantes estavam “muito impacientes com o atraso” porque “adquiram as suas habitações na perspectiva de terem boas ligações ferroviárias”. O presidente da freguesia de Palmela acrescenta que o atraso “prejudicou a rentabilidade da nova linha”. Isto porque, “há muito que as infra-estruturas estão prontas mas paradas”, o que “não permite um retorno eficaz do dinheiro investido”.

Manuel Soares também está “contente” com a chegada do comboio, mas aproveita para salientar que já devia ter sido em Junho porque “já estava tudo pronto”. No entanto, “as condições ideais de funcionamento continuam por reunir” para “prestar um bom serviço aos utentes”.

O Governo “continua a prejudicar os utentes da margem sul”, pois este “demorou a tratar das novas composições”, salienta Manuel Soares. O próprio contrato “está ser mal feito”. O membro da comissão refere que “o Governo reuniu apenas com a Fergatus”. Contudo, a “CP deveria ter sido chamada”, pois era “melhor serem colocadas mais composições” e conseguir “um serviço mais completo”. Manual Soares diz que a comissão “nunca foi convocada para as reuniões”, que foram realizadas.

O autarca do Pinhal Novo critica também os atrasos nos acabamentos da estação e nas estruturas de apoio. Por exemplo, os elevadores da estação “ainda não estão a funcionar e as escadas são muito íngremes”. A Fertagus “não criou nenhum estacionamento na área circundante à estação”. Álvaro Amaro garante que o estacionamento vai ser “um caos” porque os lugares que existiam anteriormente “não têm capacidade para suportar o aumento de pessoas”.seta-3820846