[ Dia 03-11-2004 ] – Empresa Carmona nega ser causa de maus cheiros em Brejos de Azeitão.

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Empresa Carmona nega ser causa de maus cheiros em Brejos de Azeitão

A empresa Carmona, localizada em Brejos de Azeitão, garante que “não há matéria nenhuma na fábrica que possa provocar os cheiros tóxicos” que a população da zona afirma sentir. O director financeiro, Aquiles Rodrigo, reconhece que o local onde são tratados os óleos “tem um cheiro característico”, mas que “não passa para fora da fábrica”. No entanto, para desfazer todas as dúvidas, a empresa está a investir “mais de 500 mil euros” em intervenções a nível ambiental.

A Associação Respirar – Defesa do Ambiente e Qualidade de Vida de Brejos de Azeitão – interpôs, uma providência cautelar contra a empresa Carmona, em Agosto deste ano, com base nas queixas da população que reside junto à fábrica. Segundo o presidente da associação, Jaime Magalhães, os moradores queixam-se que a fábrica, que se dedica ao tratamento prévio de óleos usados, emite “cheiros altamente tóxicos e insuportáveis”. Isto porque a Carmona “exerce a actividade a céu aberto, a escassos metros das habitações”.

Jaime Magalhães acredita que estes cheiros “podem provocar consequências graves para a saúde”, devido ao seu elevado nível de toxicidade. “Algumas pessoas queixam-se de enxaquecas e comichões no nariz, garganta e olhos devido a estes cheiros”, refere. Por isso, em Dezembro do ano passado, foi criada a Associação Respirar para “lutar contra este grave problema ambiental que se sente numa zona habitacional”.

“Face à gravidade da situação e inoperância das entidades que deveriam superintender na matéria”, a associação resolveu interpor um pedido de providência cautelar junto do Tribunal de Setúbal. Como resultado, foi firmado um acordo entre a empresa e a associação e o tribunal decidiu “dar alguns prazos à administração da Carmona efectuar correcções ambientais”. A empresa tem até final do ano para “cobrir zonas de onde possam sair cheiros” e até final de Março de 2005 para impermeabilizar os solos onde está localizada”

Aquiles Rodrigo garante que a empresa ”está a tomar todas as providências” determinadas pelo tribunal, mas adianta que estas já faziam parte dos planos da empresa. A Carmona “já tinha decidido, há muito, investir na área ambiental, mas essas medidas foram enquadradas no acordo”, refere. Além disso, o responsável assegura que os cheiros insuportáveis de que fala a Associação Respirar “não são originários da Carmona”. Trabalham 90 pessoas na fábrica que “nunca se queixaram, nem tiveram quaisquer sintomas de doenças profissionais”, afiança Aquiles Rodrigo.

No entanto, a empresa Carmona está a realizar um “grande esforço financeiro” para “corrigir eventuais falhas a nível ambiental”. Além disso, estão a ser realizadas intervenções ao nível das “não conformidades técnicas”, ou seja, falhas que foram apontadas num relatório da Inspecção-Geral do Ambiente (IGA), mas que “não estão directamente relacionadas com poluição”. O total das intervenções ascende aos 500 mil euros.

Assim, Aquiles Rodrigo refere que “já foram cobertas com equipamento apropriado todas as zonas de onde possam ser emitidos cheiros”. Foram ainda instalados filtros para “limpar o ar que sai do processo de tratamento dos resíduos”. O responsável diz ainda que “cerca de 50% dos solos já foram asfaltados” para que as águas onde se lavam os óleos “não escorram para águas fluviais”. A rede de incêndios também “está praticamente concluída”.  

Os trabalhos estão a decorrer “normalmente”, mas alguns dependem das condições climatéricas e outros tiveram de ser subcontratados. São questões que “não facilitam” o andamento das intervenções, mas, ainda assim, Aquiles Rodrigo garante que estão a ser feitos “todos os possíveis para se cumprirem os prazos”.

Já aos moradores e à Associação Respirar estão “muito esperançados” que a empresa cumpra tudo o que se comprometeu fazer, já que acreditam que os cheiros são originários da Carmona. Jaime Magalhães realça que se têm sentido “algumas melhorias, nos últimos tempos, embora permaneçam os maus cheiros”.

Mas se, depois dos prazos estabelecidos pelo tribunal, a situação não se resolver, Jaime Magalhães garante que a associação “não vai ficar de baixos cruzados” e vai dar continuidade à luta. Este responsável garante que a associação “não quer por em causa os postos de trabalho”. Por isso, não está a exigir o encerramento da fábrica, mas, simplesmente, que “se invista no ambiente para que acabem este tipo de problemas naquela zona”.seta-8386720