[ Dia 27-12-2004 ] – Teatro de Animação de Setúbal contesta apoio do Ministério da Cultura.

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Teatro de Animação de Setúbal contesta
apoio do Ministério da Cultura

O Teatro de Animação de Setúbal (TAS) vai contestar, em breve, o apoio do Ministério da Cultura. O director da companhia, Duarte Vítor, acredita que os 35 mil euros concedidos “são injustos quando comparados com o trabalho desenvolvido”. O TAS comemorou, ontem, 29 anos e Duarte Vítor lembra os talentos que se formaram na “casa”.

Devido à importância que o TAS tem para a região, Duarte Vítor não compreende a política de apoios do Ministério da Cultura (MC). Se não fosse a Câmara Municipal de Setúbal (CMS), “o TAS tinha acabado há muito tempo” afiança. Em 2005, o Instituto das Artes (IA) vai dar ao TAS apenas 35 mil euros, “quando o apoio de 2004 atingiu os 78 mil euros” e já foi “apertado”. A companhia vai contestar a verba mas “não tem grande esperança de ganhar a causa”.

Ainda assim, o director espera que a CMS “faça pressão sobre as entidades responsáveis” e que a própria população “proteste”. Setúbal é capital de distrito, mas “não é tratada conforme tal” e exemplo disso “são os cortes ao Festroia”.

O TAS contribuiu “muito” para o desenvolvimento cultural da cidade quando, há 29 anos, abriu um espaço para profissionais. Isto permitiu a profissionalização de muitos jovens que mais tarde “se viriam a destacar no panorama teatral português”. Nuno Melo, Filomena Gonçalves – protagonista de A Ferreirinha, Rui Paulo, Luís Aleluia, Fernando Luís e Manuela Couto deram os primeiros passos no TAS. O nome da companhia está também associado a eventos “únicos” como ao primeiro festival de cinema de Setúbal.

Contudo, Duarte Vítor realça o contributo dado às escolas. Há anos que os alunos assistem, como matéria de estudo, à apresentação do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. “É quase uma tradição” porque “é com prazer” que os actores, encenadores e dirigentes reconhecem professores que outrora assistiram à peça enquanto alunos. 

O TAS já projectou o plano de actividades de 2005, e em Fevereiro as escolas poderão assistir ao “Aprendiz”. Se o apoio não for revisto, a peça “A Festa” “não irá a cena”. Garantida está a participação nas celebrações Bocageanas, com o trabalho “Bocage”, a 100.ª apresentação da companhia. O TAS recupera, no final de 2005, a tradição dos ‘workshops’.seta-4713134