[ Setúbal na Rede] – Ambiente – Divulgação

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Museu Municipal de Alcochete
Alcochete – Terra de sal

Das actividades laborais deste concelho, particular destaque nos merece a actividade de extracção do sal – salicultura – não só pelo peso económico que já deteve, como também pelas gerações de homens / salineiros que fizeram do sal o seu sustento. A margem esquerda do Tejo, onde Alcochete se insere, chegou a ser considerada como o centro salineiro mais importante do país (séc. XIX). As marinhas situadas na Ribeira do Batel, eram tidas como as de melhor qualidade.

Das cerca de noventa marinhas existentes em meados do século XX, apenas onze se encontravam em laboração no início da década de 90, produzindo uma quantidade de sal cerca de oito vezes menor. O número de salineiros decresceu, muitos foram os que abandonaram as  lides do  sal, mas  também muitas  marinhas, ao serem semi-mecanizadas, dispensaram parte da sua mão de obra.

Actualmente existe apenas uma salina a laborar – a Marinha do Brito, propriedade da Fundação João Gonçalves Júnior. É aqui que podemos encontrar o Sr. Manuel Nicolau, Salineiro de profissão que ainda guarda a arte do fabrico dos pãezinhos de sal. Alguns dos exemplares por ele confeccionados são oferecidos ao Museu Municipal que os expõe, perpetuando assim a memória desta arte.

A água depositada nos caldeirões que já se encontra em condições de fazer sal é designada por água-mãe.  É da cristalização dessa água que nasce o sal-de-embate, aproveitado para a confecção dos Pãezinhos de Sal –  blocos de sal enformado e artisticamente decorados.

A acção do calor faz surgir uma camada de espuma gomosa, vidrada e muito fina à superfície da água-mãe.  Quando, no mês de Junho, surgem as aragens do Vento Norte a espuma é empurrada, embatendo nos cantos das barachas formando a flor, expressão utilizada pelos antigos salineiros.

Essa flor, era delicadamente colhida à mão e colocada em canastras, onde ficava a escorrer vários dias, até restarem apenas os finos cristais, brancos, brilhantes e ligeiramente gomados a que se dá o nome de sal-de-embate. Concluído o processo de secagem, este sal estaria pronto para ser amassado e enformado.

As formas utilizadas na confecção dos Pãezinhos de Sal resultavam do reaproveitamento  de folhas de rodo (madeira de carvalho) que já não tinham serventia.  Nas poucas horas disponíveis, as de maior calor, os salineiros entretinham-se a desenhar e a esculpir, com um canivete, os lavramentos. As representações mais comuns eram os símbolos das casas agrícolas e ganadarias das redondezas, o Brasão de Alcochete, o Barrete Verde entre outros motivos, dependendo da motivação ou do gosto de cada salineiro.

As formas mais usuais eram as rectangulares – constituídas por 4 partes laterais, chavetas de aperto  (pequenos paus de gramata) e  a tapadeira, embora existissem outras de maior complexidade.

Caldeirões de moirar – Um dos reservatórios de uma salina. Local de preparação da água, de aumento do grau de salinidade. A água entra para estes reservatórios com  14 ou 15 graus e aí permanece até atingir os 24 ou 25 graus Baumé.

colheita.